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“RBGO na Web of Science faz pesquisa em ginecologia e obstetrícia no Brasil mudar de patamar”

Conversamos com Edna Rother, editora técnica do Instituto Israelita de Ensino e Pesquisa Albert Einstein, sobre a inclusão da Revista Brasileira de Ginecologia e Obstetrícia (RBGO) na Web of Science. Ela foi uma das responsáveis por esta importante conquista.

Foram precisos quase três anos, mas a Revista Brasileira de Ginecologia e Obstetrícia (RBGO) conseguiu alcançar o objetivo que todas as revistas científicas almejam: ser indexada na plataforma Web of Science, a principal base de dados que disponibiliza acesso a mais de 9.200 títulos de periódicos.

A indexação é um feito e tanto. Não só porque eleva o patamar da RBGO entre revistas da área, como também cria novas oportunidades para pesquisadores e instituições de ensino no Brasil.

A conquista fica maior se levarmos em consideração que são poucas as revistas científicas indexadas na Web of Science. Hoje, apenas 80 revistas científicas em todo o país estão na plataforma.

Uma das responsáveis pela conquista é Edna Rother, editora técnica do Instituto Israelita de Ensino e Pesquisa Albert Einstein. Com mais de sete indexações de revistas científicas na Web of Science − segundo Rother a “menina dos olhos de todas as revistas científicas do mundo” −, a editora é considerada uma sumidade quando o assunto é indexação.

Neste bate-papo, a editora fala sobre como foi obter a sonhada indexação e por que isso pode ser importante para a evolução da pesquisa na área. Confira:

Qual o tamanho da importância dessa conquista para a pesquisa brasileira?
É muito grande. A principal importância da indexação está relacionada ao aumento da visibilidade que a revista e, consequentemente, os trabalhos nela incluídos, assim como seus respectivos autores, passam a ter. É uma oportunidade de os artigos serem vistos pelo mundo inteiro e isso traz tanto reconhecimento quanto prestígio às revistas, sociedades mantenedoras, instituições de ensino e autores. Além do mais, traz um impacto muito significativo junto à Capes, uma vez que a revista passa a ter uma nova classificação nos critérios de avaliação.
Web of Science
Quem ganha com isso?
Muita gente. Dos autores aos cursos de pós-graduação, alunos e orientadores. É uma forma de aumentar o conceito junto à Capes. Quem não quer estudar em uma instituição de ensino ou ter um orientador bem conceituado nesse sentido? Isso acontece porque dentro dessa cadeia acadêmica, as revistas são categorizadas de acordo com os dados nacionais e internacionais que estão classificadas.
 
Afinal, é o valor agregado dos autores que faz uma revista forte. Se você está nas melhores bases internacionais significa que a sua revista tem um maior nível de reconhecimento. Você passa a ser visto em um outro universo de revistas.
 
Em um degrau mais alto, digamos assim. Conseguimos o mais complicado, que é chegar à indexação. A partir daí você passa a ter, cada vez mais, os melhores conteúdos e mais autores renomados procurando a revista. Quando você está indexado internacionalmente é muito mais fácil você criar um banco de artigos, porque todo mundo quer ter um artigo na sua revista.
E como foi o processo?

 

Posso dizer que não é simples. Aliás, muito pelo contrário. Iniciamos o processo de indexação em 2015 e passamos por todas as fases dos critérios de avaliação. Os processos envolvem desde o formato da revista, ou seja, como são apresentadas as referências bibliográficas e toda a parte editorial e formal da revista.
 
Após isso, vem a avaliação do mérito, que é relativo ao conteúdo da revista. São processos que demandam, no mínimo, dois anos. Em geral, chegam a até quatro anos. Para essas bases internacionais, podem chegar a cinco anos. Tivemos ainda a dificuldade de ver os critérios de avaliação de mérito da Web of Science mudarem no meio do processo, criando mais uma barreira que precisamos superar.
Três anos é bastante tempo. Por quê tanta demora?

 

Demora muito porque é a base de pesquisa de artigos mais reconhecida no mundo. Toda revista pleiteia estar nela, porque é a única que dá o fator de impacto nesse patamar. Por isso, é a menina dos olhos de todas as revistas do mundo. Por ano, eles recebem cerca de 3 mil revistas para avaliação.
 
São 3 mil vezes que você tem de avaliar a qualidade editorial, depois enviar para especialistas para que estes avaliem o mérito de cada revista. Até por isso, a gente tentava manter uma constante comunicação com eles. A cada 60, 70 dias trocávamos e-mails para saber em que pé o processo estava, para que não perdêssemos eles de vista (risos)
E para você? O que essa conquista representa?

 

Esse é, sem dúvidas, um marco na minha carreira. Já indexei várias revistas, mas é sempre muito gratificante. A RBGO é uma revista cujo corpo editorial possui nomes internacionalmente reconhecidos, com um potencial enorme. A temática da revista também é de interesse nacional. São contribuições importantes para melhorar a prática médica nacional.
Edna Rother
Uma das responsáveis pela inclusão da RBGO na Web of Science, atualmente é Professora colaboradora do Instituto de Assistência Médica ao Servidor Público Estadual, Assessora do Instituto de Ensino e Pesquisa Albert Einstein, Assessoria do Conselho Brasileiro de Oftalmologia, do Associação Brasileira de Transplantes de Órgãos, do Centro de Formação Profissional Em Fonoaudiologia Audiologia e Comunicação e da Sociedade Brasileira de Fonoaudiologia.

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