Oftamologista

Dez perguntas e respostas sobre o glaucoma que todo oftalmologista deve saber

Especialistas respondem em livro dúvidas comuns envolvendo diagnósticos e tratamentos da doença

O glaucoma é uma das mais conhecidas patologias envolvendo a região ocular e também uma das mais temidas, uma vez que a doença, caso não tratada, pode levar à cegueira. Segundo dados da Organização Mundial de Saúde (OMS) a doença, que envolve a perda de células da retina responsáveis por enviar os impulsos nervosos ao cérebro, atinge cerca de 900 mil pessoas no Brasil.
 
Separamos dez questões que frequentemente aparecem nos consultórios de qualquer oftalmologistas, sejam sobre a doença, diagnósticos ou tratamentos, respondidas por Mary J. Cox e George L. Spaethno, referências na área e que atuam no Will Eyes Hospital, na cidade de Filadélfia (EUA), e que colaboraram com o livro Secrets – Oftalmologia.
1- O que é glaucoma?
O glaucoma é um grupo altamente heterogêneo de condições em que tecidos oculares são danificados. Normalmente o nervo óptico é comprometido, resultando em uma neuropatia óptica característica com perda associada do campo visual. Em condições, como glaucoma agudo de ângulo fechado, o cristalino, a córnea e outras estruturas podem também ser afetadas.
2- Quais os fatores de risco para o desenvolvimento de glaucoma de ângulo aberto primário?

 

Os fatores de risco conhecidos incluem pressão intraocular elevada, idade, raça e um histórico familiar positivo de glaucoma. Fatores de risco presumidos para os quais existe evidência, mas que às vezes parecem conflitantes, incluem miopia e diabetes mellitus. Os fatores de risco potenciais para os quais certa associação foi encontrada incluem hipertensão, anormalidades cardiovasculares, apneia do sono ou enxaquecas. Hemorragia do disco, aumento da razão escavação/disco e escavação assimétrica do nervo óptico podem representar ou fatores de risco ou evidência de doença em estágio inicial.
Glaucoma de ângulo aberto
3- Quando suspeitar de glaucoma?

 

Deve-se suspeitar de glaucoma em um adulto com ângulo aberto sob gonioscopia e uma das seguintes constatações em ao menos um olho:
– Nervo óptico suspeito de glaucoma.
– defeito no campo visual consistente com glaucoma.
– Pressão intraocular elevada consistentemente maior do que 22 mmHG.
Se um paciente tiver duas ou mais das constatações anteriores, então o diagnóstico de glaucoma é mais provável. A decisão de tratar um glaucoma suspeito leva em consideração as constatações anteriores bem como fatores de risco adicionais e a saúde geral do paciente.

4- Ao examinar o nervo óptico, quais constatações poderiam ser consistentes com um diagnóstico de glaucoma ou suspeito de glaucoma?

 

Estreitamento difuso da borda do nervo óptico, estreitamento focal ou entalhamento da borda do nervo óptico, alongamento do cálice óptico, defeitos da camada de fibras nervosas, hemorragias na camada de fibras nervosas e escavação assimétrica do nervo óptico são todos sinais de glaucoma ou suspeita de glaucoma. Uma fosseta (pit) adquirida do nervo óptico é um sinal patognomônico de glaucoma.
5- Quais os defeitos comuns no campo visual encontrados em glaucoma?

 

I- Degrau nasal superior/inferior
II- Defeito arqueado superior/inferior
III- Depressão generalizada.
IV- perda paracentral.
V- Ilha temporal ou central com doença avançada.
6- É verdade que a perda da visão periférica é um alerta de glaucoma em estágio inicial?

 

Não. A perda da visão temporal (visão lateral) é a última a ser afetada na maioria dos tipos de glaucoma. A primeira área a ser danificada na maioria das pessoas com glaucoma é a visão para o lado nasal da visão central. Isto ajuda a explicar o motivo pelo qual os pacientes não notam a perda da visão até que o dano seja aparente. ambos os olhos fornecem visão para o lado nasal, então um ponto cego não é notado com ambos os olhos abertos, até que a visão tenha sido perdida nos dois olhos.
7- Quais as constatações no nervo óptico são comuns nos casos de glaucoma?

 

I- Estreitamento difuso da borda neurorretiniana
II- Estreitamento focal ou entalhamento da borda neurorretiniana.
III- defeitos na camada de fibras nervosas.
IV- Hemorragias no disco
V- Assimetria da escavação.

8- Quais as opções de tratamento iniciais para glaucoma?

 

As opções incluem observação ou diminuição da pressão intraocular com o uso de colírios, trabeculoplastia a laser ou cirurgia.
9- Quais fatores ajudam a determinar qual opção tentar?

 

Primeiro, determine o quão agressivo o tratamento precisa ser. O nível de agressividade leva em consideração a gravidade da doença, a rapidez da progressão e a saúde geral do paciente. Segundo, a toxicidade e o custo das diversas opções de tratamento precisam ser analisados. Isto ajudará a prever a adesão ao tratamento. Por exemplo, um paciente saudável de 70 anos de idade com doença avançada e uma incapacidade de tolerar medicamento provavelmente se beneficiaria com cirurgia. Um paciente de 45 anos de idade com doença leve a moderada pode começar com medicação ou, se incapaz de aderir ou tolerar o esquema medicamentoso, uma trabeculoplastia a laser. Um paciente doente idoso com doença leve a moderada pode-se beneficiar apenas com observação.
10- Colírios são mais seguros do que medicamentos orais?

 

Não. Colírios são diretamente absorvidos pelo sangue pelo sangue através da mucosa nasal. Esta rota contorna o metabolismo dos medicamentos pelo fígado e pode permitir um aumento nos efeitos para uma dada quantidade de absorção.
Quer saber todos os segredos da prática? Confira o nosso livro Oftalmologia Secrets, organizado por Janice A. Gault e James F. Vander, já disponível em nosso estoque!

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