Fisioterapia como elemento essencial no tratamento do câncer de mama

Coautora do livro Manual de Condutas e Práticas Fisioterapêuticas no Câncer de Mama da ABFO, fala sobre a importância do profissional para diminuir as complicações envolvendo o câncer de mama

A luta contra a doença, como bem sabem as pacientes, é diária e vai além dos tratamentos da doença em si. A saga costuma envolver desgastantes terapias (radiológicas ou químicas), longas listas de remédios e procedimentos cirúrgicos. No final o corpo sempre pede ajuda.
 
Por isso, o pós tratamento de pacientes com câncer passou a ser o foco da fisioterapeuta Laura Rezende nos últimos 20 anos. Ela é uma das autoras, juntamente com Larissa Campanholi e Alessandra Tessaro, do livro Manual de Condutas e Práticas Fisioterapêuticas no Câncer de Mama da ABFO. (Garanta seu exemplar aqui).
 
Razões não faltam para se debruçar no assunto. Dores nas costas, dificuldades de movimentar os braços, inchaços, limitações corporais são apenas alguns dos vários efeitos colaterais incididos no corpo de uma paciente com câncer de mama. Por isso, a fisioterapia é essencial para diminuir as dores ou recuperar a força da musculatura e movimentos após o tratamento.
Porém, não é fácil encontrar literatura adequada sobre o tema. Segundo ela, no Brasil, a preocupação a respeito do câncer de mama é relativamente recente e há poucos livros que tratam especificamente para esse público, que ela ressalta ser “diferente de todos os outros”.
 
De acordo com ela, a fisioterapia oncológica no Brasil é uma área nova. Muita faculdade de fisioterapia que nem tem essa disciplina na grade. O livro é um dos primeiros no Brasil. Já conhecemos a área há alguns anos. Eu já trabalho nela há 20 anos. Mas somos poucos profissionais. É uma especialidade que precisa crescer e falta profissional no mercado.
 
“É um livro bem conciso mas que poderá ajudar muito profissionais e graduandos em fisioterapia, porque apresenta as principais complicações relacionadas com o tratamento oncológico e a aplicação da fisioterapia visando à solução destes problemas”, afirma Laura.
 
Complicações comuns
 
Cada um deles traz um monte de complicação, seja do movimento, do sistema linfático, com as cicatrizes ou com os nervos afetados. A limitação do movimento do braço é a principal complicação que as mulheres enfrentam durante o câncer de mama. “É uma complicação pelo qual toda mulher que faz uma cirurgia para combater a doença vai passar”, afirma Laura.
Isso acontece porque a retirada da mama afeta toda a região muscular região torácica e do ombro. A falta de sessões adequadas de fisioterapia agravam a situação. “A restrição aparece com o tempo. Começa não conseguindo pegar algo no alto do armário, esticar completamente o braço. Com isso a paciente começa a compensar a função, acentuando a limitação no dia-dia”, explica.
 
A linfedeme, o inchaço no braço causado pela obstrução de vasos linfáticos, também tende a aparecer, além de ser uma lembrança constante da doença, bem como a fadiga apresentada no dia-dia também é uma consequência comum.
 
“Uma das piores é a neuropatia periférica, caracterizada por uma fraqueza, dormência e dor nos pés ou nas mãos. A dor ao pisar no chão é comparável a centenas de tachinhas”, afirma Laura.
 
De acordo com a fisioterapeuta, todas as complicações do câncer de mama podem ser trabalhadas, atenuadas ou plenamente tratadas “desde que o acompanhamento com um profissional seja realizado da maneira correta pelo período estipulado pelo mesmo”, ressalta.

 

Manual de Condutas e Práticas Fisioterapêuticas no Câncer de Mama da ABFO
Rico em imagens que indicam em detalhes o passo a passo de cada manobra, o livro Manual de Condutas e Práticas Fisioterapêuticas no Câncer de Mama da ABFO traz as orientações que todo o profissional de fisioterapia deve seguir no Brasil.
 
Com evidências científicas atuais, integradas à grande experiência prática e acadêmica dos autores, a obra apresenta as mais diveras opções de tratamento para as mais diversas situações.

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