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Por que o autoexame da mama não pode se resumir ao toque?

Tradicionalmente visto como a principal forma de detecção de câncer, o autoexame da mama abriu espaço para outras maneiras mais eficazes de diagnosticar a doença.

Quem viveu a década de 90 com certeza lembra das campanhas de conscientização do câncer de mama na televisão. Nas campanhas, a técnica do autoexame da mama — no qual as mulheres tocavam os seios em busca de possíveis nódulos e alterações na região — era considerada a principal forma de se atentar para sinais da doença.
 
Entretanto, o doutor em oncologia, coordenador geral do Centro de Treinamento e Prevenção do Hospital de Amor de Barretos e um dos colaboradores do livro Câncer de Mama – Uma Filosofia de Tratamento Breast Unit Barretos, Thiago Buosi Silva, é categórico ao afirmar que a ideia do autoexame envolvendo apenas o toque é considerado ultrapassado e não mais preconizado pela sociedade médica.
Atenção: qualquer tipo de autoexame é uma forma de diagnóstico e não de prevenção. A prevenção é possível fazer com os exames periódicos de rotina.
Ele explica que sim, o toque ao redor dos seios em busca de possíveis nódulos continuam sendo importantes para a detecção de anomalias e que o aparecimento de caroços na região deve sempre ligar o alerta das mulheres.
 
Entretanto, o que os médicos defendem agora é um olhar mais holístico do autoexame, que não seja apenas a busca por nódulos no seio. Ou seja, que não se limite a apenas um sintoma, mas a vários outros que podem passar batido pela mulher.
“Em geral os especialistas deixaram de recomendar apenas o autoexame do toque. O que dizemos agora é que a mulher deve fazer um exame de autoconhecimento do corpo, notando várias outras alterações que podem ser sintomas importantes”, afirma. Segundo ele, muitos desses outros sintomas não aparecem de forma simultânea. Ou seja, podem surgir mesmo sem a aparecimento do nódulo.

 

Mas então quais sintomas a mulher deve verificar?
 
Além dos nódulos nos seios, Silva lembra que há uma série de outros sintomas que as mulheres devem estar atentas com relação ao câncer de mama. “Geralmente esses sintomas são bem visíveis ao olho nu, mas podem ser confundidos com outras doenças que nada têm a ver com o câncer”, explica.
 
Alterações do mamilo, por exemplo, deve ser considerado um sinal de alerta. O afundamento, mudança no formato ou redução do bico do seio, por exemplo, pode claramente ser um sintoma da doença.
autoexame de toque IIautoexame de toque I

 

O mesmo pode ser percebido com a assimetria mamária. Embora os seios nunca sejam de tamanhos iguais, a mudança de formato ou tamanho das mamas é um bom motivo para procurar o médico. Da mesma forma, a mudança de posição ou formato do mamilo
 
“Vermelhidão e coceira nos seios, mudança na textura da pele e descargas sanguinolentas ou transparentes (famosos corrimentos” também são alguns dos sintomas”, afirma Silva.
 
O doutor em oncologia lembra que raramente os sintomas aparecem de maneira simultânea. Pelo contrário, na maioria das vezes eles surgem independentes um do outro. Portanto os sinais não devem ser ignorados. “Qualquer uma dessas alterações é motivo para procurar o médico”, afirma.
 
Contudo, ele também acalma as mulheres, lembrando que o aparecimento desses sinais não representam necessariamente um estágio avançado da doença. “Assim como nem todo nódulo na mama é câncer. Mas sempre será necessário investigar”, ressalta.

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