Feminização Facial

Os 5 aspectos primários da Feminização Facial

O efeito da testosterona e seus derivados condiciona o aparecimento de características faciais relacionadas com a identidade de gênero. Conheça os aspectos primários dessas características

O que são os aspectos primários?
 
Os aspectos primários são as características determinadas pelo desenvolvimento do esqueleto craniofacial que diferenciam a estrutura craniofacial masculina e feminina de maneiras significativas.
 
De modo geral, o esqueleto facial masculino apresenta maior volume ósseo e algumas características bem definidas que o diferenciam de seu correspondente feminino. Estas características de diferenciação são observadas no complexo frontonasal são observadas no complexo frontonasal-orbital, no nariz, na região malar, no complexo do maxilar inferior e do queixo, na dentição e na cartilagem tireoidiana.
Complexo Frontonasal-Orbital

 

O complexo frontonasal-orbital talvez seja o maior determinante do gênero facial. Esta região é composta pela fronte, arcada supraciliar, órbitas, proeminência frontal, região frontomalar, têmporas e transição frontonasal. Determina a posição das sobrancelhas e dos tecidos moles periorbitais, como as pálpebras. Normalmente, todas estas áreas são mais pronunciadas e apresentam maior volume ósseo no esqueleto masculino que no feminino.
 
Nariz

 

No que se refere à diferença de gênero, o nariz masculino geralmente é maior do que o feminino em razão do maior volume de osso e cartilagem. Estas diferenças são mais visíveis no dorso nasal e na ponta do nariz.
Região Malar

 

A área da bochecha (região zigomático malar do esqueleto facial) geralmente apresenta algumas diferenças estruturais que precisam ser definidas, já que podem gerar confusão em relação à feminização facial. Como regra geral, o volume do osso malar é maior em homens, o que pode deixar as bochechas bem definidas.
No entanto, bochechas proeminentes, redondas no terço médio da face são compatíveis com a feminilidade, já que as mulheres apresentam maior concentração de gordura nesta área (ou seja, o maior volume não é causado por osso, mas por tecidos moles). Isto tem implicações específicas ao decidir o melhor tratamento para esta região.
Complexo do Maxilar Inferior e do Queixo

 

Junto com a região frontonasal-orbital e o nariz, o complexo formado pelo maxilar inferior e do queixo constitui o terceiro pilar das características de gênero craniofacial.
O maxilar masculino apresenta uma série de características que podem influenciar a percepção do gênero facial. Para entender melhor o maxilar , precisamos dividi-lo em área de ângulo do maxilar inferior e corpo do maxilar inferior. A área do ângulo do maxilar inferior geralmente é mais quadrada, com cantos mais definidos. O corpo maxilar inferior tende a apresentar maior volume ósseo, fazendo com que o terço inferior da face seja mais largo em homens do que em mulheres. Este maior volume ósseo também aumenta a altura vertical do maxilar inferior masculino, um fator importante no planejamento das técnicas de reformatação na FFS.
O queixo tende a ser mais quadrado em homens, com transições mais pronunciadas e definidas com o corpo do maxilar inferior, maior volume ósseo e dimensão vertical mais significativa. O gênero não necessariamente determina a posição do queixo; queixos em retroposição ou superprojeção, por exemplo, podem ser observados em homens e mulheres. No entanto, o queixo bem definido e projetado pode melhorar a estética geral da região mentoniana e do maxilar inferior.
Dentição

 

Apesar das diferenças na dentição masculina e feminina, associadas, principalmente ao formato e ao tamanho dos dentes, esta não é uma linha terapêutica padrão na FFS atual. Embora algumas equipes tenham trabalhado a dentição para aumentar a percepção de feminilidade, há poucos protocolos estabelecidos na área.
Cartilagem Tireoidiana (Pomo de Adão)

 

Por si só, a cartilagem tireoidiana, ou pomo-de-adão, é uma das características mais proeminentes do gênero masculino e uma verdadeira fonte de estigma para um grande número de mulheres transgênero.
A estrutura traqueal, essencial em processos vitais básicos, como a respiração e a fala, tem maior volume, diâmetro e comprimento em homens. A estrutura traqueal em si nunca deve ser abordada com a ideia de feminização em razão do risco inaceitável e desnecessário de dano das cordas vocais ou até mesmo problemas respiratórios. Somente a parte proeminente da cartilagem tireoidiana deve ser modificada. Isto permite a redução significativa do pomo-de-adão sem comprometimento da integridade estrutural.
O desenvolvimento das estruturas previamente descritas sob influência hormonal não é reversível e, assim, estas características, que determinam parte significativa do gênero facial de um indivíduo, podem apenas ser abordadas e modificadas com cirurgia. O cirurgião deve sempre respeitar a arquitetura e anatomia intrínsecas do esqueleto craniofacial;
Texto retirado do livro Identidade de Gênero: Perspectivas Clínicas e Cirúrgicas.
(Christopher J. Salgado; Stan J. Monstrey; Miroslav L. Djordjevic.

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