otite externa necrotizante

O que é a Otite Externa Necrotizante?

A otite externa necrotizante (NOE), também conhecida como otite externa maligna (MOE), é uma doença infecciosa grave e rara do canal auditivo externo (CAE). Sem tratamento, pode progredir para o envolvimento da base do crânio. A bactéria Pseudomonas aeruginosaé o agente causador mais comum (∼ 90% dos casos) e afeta indivíduos imunocomprometidos, principalmente pacientes diabéticos. Otalgia crônica grave, otorréia e paralisia do nervo craniano são as apresentações clínicas mais comuns.

De acordo com os autores, pacientes com otite externa necrotizante são frequentemente encaminhados para neurocirurgia devido ao comprometimento neurológico e comprometimento da base do crânio.

O diagnóstico definitivo é frequentemente indescritível, exigindo um alto índice de suspeita. Vários exames laboratoriais, modalidades de imagem e exclusão histológica de malignidade podem ser necessários.

Sendo assim, um diagnóstico precoce e tratamento agressivo reduzem a morbimortalidade. Apresentamos quatro casos NOE para ilustrar o espectro da apresentação clínica e exames complementares. De acordo com a literatura, são necessários mais esforços para diagnóstico e tratamento precoce, e o neurocirurgião tem papel importante nessas tarefas.

O que é a otite necrosante?

O que se sabe da otite externa necrosante (NOE) ou otite externa maligna (MOE) é uma infecção das partes moles do canal auditivo externo (CAE) que penetra no crânio e pode afetar o osso temporal e outros componentes da base do crânio.

Sua descrição como entidade clínica data de 1959. Além disso, na década de 1990, estudos elucidaram fatores relacionados à sua patogênese e formas distintas de evolução, como mastoidite e osteomielite na base do crânio (SBO).

A fisiopatologia da otite externa necrotizante envolve uma infecção invasiva que começa na EAC e penetra no crânio através da fissura de Santorini, com Pseudomonas aeruginosa como agente etiológico em até 98% dos casos. Comorbidades imunes (HIV, imunossupressão farmacológica), irrigação da orelha para limpeza da EAC e alterações locais (microangiopatia da EAC e alteração no pH do cerume em pacientes diabéticos) são os principais fatores de risco.

Assim, a história natural da doença não tratada é o envolvimento contíguo dos ossos da base do crânio em vários padrões, levando a danos no nervo craniano. Dessa forma, a progressão para SBO com o envolvimento dos ossos temporal, occipital e outros ossos, embora rara, resulta em grande morbimortalidade.

A osteomielite na base do crânio também pode ser desencadeada pelo envolvimento dos seios odontogênico ou paranasal, mas com menos frequência quando comparado ao SBO secundário ao NOE.

Conteúdo produzido originalmente por Sérgio Augusto Vieira Cançado, Lucídio Duarte de Souza, Rodrigo Moreira Faleiro, José Maurício Siqueira e publicado no artigo Necrotizing Otitis Externa: A Disease Barely Known to Neurosurgeons. Confira o conteúdo completo na Brazilian Neurosurgery, a revista oficial da Sociedade Brasileira de Neurocirurgia e das Sociedades de Neurocurgia em língua portuguesa.

 

 

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