A tomografia computadorizada e a reprodutibilidade na classificação das fraturas transtrocanterianas

A tomografia computadorizada e a reprodutibilidade na classificação das fraturas transtrocanterianas

Com o envelhecimento populacional, houve um aumento significante da prevalência das fraturas do quadril, com alto índice de mortalidade, de sequelas, e alto custo. Compreender o perfil da fratura e classificá-la de forma correta é fundamental para definir o tratamento adequado. Diversas classificações radiográficas foram desenvolvidas para as fraturas transtrocanterianas, tais como as de Tronzo, de Evans-Jensen, de Boyd-Griffin e AO, porém sua reprodutibilidade nem sempre é satisfatória.

A reprodutibilidade para a classificação das fraturas transtrocanterianas apresentou resultados variáveis e influenciados por fatores como o tipo de classificação. O uso da classificação simplificada ou completa, a especialidade do avaliador, a experiência e a metodologia proposta pelos trabalhos. Há indícios de que há algum benefício para o uso da TC, sobretudo para fraturas consideradas instáveis. Entretanto, sua utilização como ferramenta para garantir uma melhor reprodutibilidade (intra- e interobservador) ainda permanece controversa e carece de mais estudos.

Idosos

Fraturas transtrocanterianas são aquelas compreendidas entre a base do colo femoral até 2,5 cm distal ao trocanter menor. Embora possam ocorrer em jovens após trauma de alta energia, os idosos vítimas de queda ao solo são os mais acometidos.

Com o envelhecimento populacional, a prevalência de osteoporose e de fraturas do quadril sofreu um aumento significativo, elevando os índices de mortalidade, as sequelas e os gastos decorrentes, quando comparados à prevalência e aos índices listados de outras fraturas.

O diagnóstico é baseado na anamnese e na avaliação clínica, no qual um traumatismo de baixa energia em individuo idoso acarreta incapacidade funcional, encurtamento e atitude rotação externa do membro inferior. Pela avaliação radiográfica, com análise de imagens no plano anteroposterior da bacia (com rotação interna e tração dos membros inferiores) e incidência em perfil do quadril. Dessa forma, confirma-se o diagnóstico bem como a característica da fratura.

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Assim, a boa compreensão do tipo de fratura e sua classificação correta são fundamentais para definir o tipo de osteossíntese mais adequado. Dessa forma, o sistema de classificação, para ser apropriado na prática clínica diária, deve ser simples, de fácil aplicação, e apresentar boa reprodutibilidade tanto intra- quanto interobservador.

Além disso, para atingir este objetivo, diversas classificações radiográficas foram desenvolvidas como as de Boyd et al, de Tronzo, de Jensen, de Evans, e a classificação AO.[1] Entretanto, em alguns casos, ocorrem divergências classificatórias que prejudicam a reprodutibilidade intra- e interobservador. Para tais casos, pode ser necessário utilizar métodos diagnósticos que possibilitem uma melhor identificação e concordância.

Tomografia Computadorizada

A tomografia computadorizada (TC) é uma técnica radiológica mais avançada, gerando imagens mais detalhadas e completas. Essas imagens são muito úteis para a avaliação de fraturas complexas e articulares, tais como do pilão tibial, do planalto tibial, do úmero distal e do calcâneo. Dessa forma, seguindo este princípio, foi proposta sua utilização em fraturas transtrocanterianas com o uso de classificação tomográfica, como sugerida por Nakano.

A disponibilidade e o uso deste exame suscitou a possibilidade de a TC apresentar melhor reprodutibilidade intra- e interobservador, bem como maior precisão diagnóstica para o uso de rotina. Porém, ainda existem controvérsias na literatura. além disso, há trabalhos que apresentam a técnica como dispensável e outros como superior quando comparada às radiografias.

Diante disso, avaliamos através de uma revisão sistemática se o acréscimo da TC apresenta reprodutibilidade intra- e/ou interobservador superior à avaliação radiográfica simples isoladamente na classificação das fraturas.

Conteúdo escrito por Murilo Alexandre, Giancarlo Cavalli Polesello, Edio Cavassani Neto, Nayra Deise dos Anjos Rabelo, Marcelo Cavalheiro de Queiroz, Walter Ricioli Junior. Confira o conteúdo completo na  Revista Brasileira de Ortopedia (RBO), publicação científica oficial da Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia (SBOT). Para encontrar outros livros de Ortopedia e Traumatologia visite o nosso site!

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