linguagem de sinasi crianças

Bilinguismo: A Língua Oral X A Língua de Sinais

Bilinguismo é o uso regular de mais de uma língua, portanto bilíngues são pessoas que precisam e usam mais de uma língua na sua vida diária.

As vantagens cognitivas secundárias ao bilinguismo são similares às adquiridas com o aprendizado precoce da música. Uma das mais intrigantes descobertas da última década de pesquisa sobre bilinguismo é a que demonstra a vantagem que os bilíngues têm sobre os monolíngues, em tarefas que medem o funcionamento executivo não linguístico.

Mesmo com a grande quantidade de evidências demonstrando os benefícios do bilinguismo, por que todas as crianças não são introduzidas ao bilinguismo? A resposta poderia ser em razão de uma noção enraizada, ultrapassada e sem comprovação científica de que o bilinguismo resultaria em atraso de linguagem.

O Bilinguismo Bimodal (Língua Oral e Língua de Sinais)

Os surdos, por muitos anos, foram obrigados a ser oralizados e “normalizados” para que pudessem ser incluídos na sociedade não se valorizando suas línguas gestuais, até mesmo impedindo sua utilização, considerando-as gesticulações que não possuíam caráter de língua. Estes pensamentos caíram por terra com estudos de neurofisiologia, linguísticos e sociológicos.

As línguas de sinais são autônomas em relação às línguas orais. Possuem uma estrutura linguística diversa, visuoespacial, com sintaxe. morfologia e “fonologia” próprias. São geradas pelas comunidades de surdos no interior da cultura de cada país e se diferenciam entre si, assim como os diferentes povos têm seus idiomas, costumes e manifestações culturais próprios.

As línguas de sinais são produzidas por movimentos das mãos, do corpo e expressões faciais em um espaço à frente do corpo, chamado de espaço de sinalização. A pessoa “recebe” a sinalização pela visão, razão pela qual as línguas de sinais são chamadas de visuoespaciais ou espaço-visuais. Embora sejam produzidas, principalmente, por movimentos das mãos no espaço (o que em pessoas que ouvem e falam é percebido pelo hemisfério direito do cérebro), esses movimentos são percebidos pelo hemisfério esquerdo das pessoas surdas que usam língua de sinais, justamente porque eles são entendidos como língua, e não como gesticulação ou movimento corporal aleatório.

Em pessoas ouvintes, a intenção de produzir uma palavra gera ativação da informação conceitual semântica, que, por sua vez, incide sobre representações semântico-lexicais, tendo como resultado a ativação de uma palavra que seja consistente com o conceito desejado. Após a seleção semântico-lexical, ocorre a seleção das representações das unidades mínimas que compõe este nível. No caso das línguas orais, essas unidades são os fonemas, enquanto nas línguas de sinais são os parâmetros – configuração de mão, movimento, locação, expressão não manual e orientação das mãos.

Bilinguismo no Brasil

Os estudos linguísticos demonstram que as línguas de sinais possuem as mesmas características e qualidades de qualquer outra língua.

No Brasil, o bilinguismo, como abordagem educacional, preconiza a competência linguística dos surdos em duas línguas: a Língua Brasileira de Sinais e a Língua Portuguesa. Para isso, a criança surda deve adquirir precocemente a língua de sinais para assim desenvolver competências cognitivas e linguísticas que lhe servirão de base para a aquisição de uma segunda língua, a língua majoritária do país.

Confira o conteúdo completo no livro Tratado de FoniatriaVisite nosso site e compre agora!

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *