Obesidade na Gravidez

Riscos da obesidade materna na gravidez: um estudo caso-controle em uma população obstétrica portuguesa

Introdução

A Organização Mundial da Saúde (OMS) considera a obesidade uma epidemia mundial e um dos maiores desafios de saúde pública do século XXI. Segundo a OMS, em 2016, na Europa, 24,5% das mulheres com idade ≥ 18 anos eram obesas. No mesmo ano, em Portugal, a prevalência era de 21,2% e representava um aumento de três vezes desde 1975 (6,8 %).

A etiologia da obesidade é multifatorial e complexa, estando relacionada à predisposição genética, alterações fisiológicas no sistema endócrino do corpo. Além disso, possíveis contribuições genéticas ao longo de gerações, crenças culturais e questões socioeconômicas.

A obesidade tem um grande impacto na morbimortalidade, sendo um fator de risco para diabetes mellitus tipo 2 (DM), hipertensão, dislipidemia e doença cardíaca coronária. Além disso, a obesidade diminui a qualidade de vida devido a distúrbios de humor associados, como ansiedade e depressão, e queixas osteoarticulares agravadas.

Discussão

Na gravidez, a obesidade é um fator de risco para resultados adversos maternos, obstétricos e fetais / neonatais. Consequentemente, contribui para períodos prolongados de hospitalização, tanto para a mãe quanto para o bebê.

A obesidade aumenta os riscos de tromboembolismo venoso, diabetes gestacional, pré-eclâmpsia, trabalho de parto disfuncional, parto cesáreo, hemorragia pós-parto, infecção de ferida, aborto, morte fetal / neonatal e crescimento fetal anormal, seja macrossomia ou restrição de crescimento. Filhos de pais obesos por exemplo, têm duas a três vezes maior risco de se tornarem adultos obesos. Em outras palavras, parece que o ambiente no útero desempenha um papel causal nesse ciclo vicioso.

A obesidade na gravidez é definida como um índice de massa corporal (IMC) igual ou superior a 30 kg / m 2 na primeira consulta pré-natal. Além disso, pode ser subclassificado em: classe I (30,0-34,9 Kg/m 2), classe II (35,0-39,9 Kg/m 2) e classe III (≥ 40 Kg/m 2).

O objetivo do presente estudo foi compreender em que medida a obesidade está relacionada a resultados adversos maternos, obstétricos e neonatais em uma população obstétrica portuguesa.

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Métodos

Este estudo retrospectivo de caso-controle foi realizado com quatro anos de dados de mulheres que deram à luz no Departamento de Obstetrícia de um Hospital Universitário de Cuidados Perinatais diferenciado, entre janeiro de 2013 e dezembro de 2016. Somente foram consideradas as gestações únicas. A aprovação da ética foi obtida no Comitê de Ética do nosso hospital.

Dados maternos, obstétricos e perinatais de gestantes solteiras que deram à luz na maternidade, independentemente do tipo de acompanhamento da gravidez, foram coletados no Obscare (Virtual Care, Sistema para a vida, Porto, Portugal), um software de registro médico institucional para obstetras e pediatras.

Foram coletadas informações sobre idade, paridade, peso das mulheres (na primeira e na última consulta pré-natal) e IMC (Kg /m 2 ) na primeira consulta pré-natal, sendo o ganho de peso calculado a partir da diferença de peso entre a última e a primeira consulta pré-natal e utilizado como variável contínua.

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Conclusão

O presente estudo retrospectivo de caso-controle foi capaz de demonstrar que a obesidade está associada a chances aumentadas de gravidez adversa e resultados neonatais. São estes: diabetes gestacional, distúrbios hipertensivos da gravidez, cesariana, macrossomia e recém-nascidos com LGA. Além disso, a ocorrência de resultados adversos aumentou progressivamente com o aumento da classe de IMC. Para concluir, os resultados de nosso estudo reforçam o fato de que é imperativo considerar a obesidade feminina como um importante problema de saúde pública. Da mesma forma, tomar medidas para prevenir e tratar essa condição, especificamente entre mulheres em idade fértil.

Confira o conteúdo original no site da Thieme.

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