disfluência da fala

O que é disfluência da fala?

Disfluência representa uma falha na organização sequencial dos eventos articulatórios da fala. Há uma dificuldade no fluxo normal e fácil da fala.Vários dos chamados distúrbios da comunicação podem afetar a fluência da fala, entre os quais estão a disartria. a dispraxia e a surdez.

Algumas alterações de natureza psiquiátrica e ao estar submetido a fortes emoções, também, podem afetar a fluência da fala. Por outro lado, a disfluência é característica da fala da criança em desenvolvimento. Alguns autores usam o termo “disfluência” quando está em jogo a gagueira, e o termo “não fluência” quando descrevem os aspectos da fala da criança em desenvolvimento ou as interrupções naturais da fala do adulto.

Disfluência Normal ou Disfluência de Desenvolvimento da fala

São interrupções do fluxo normal da emissão quer ocorrem na fala de crianças pequenas que estão em desenvolvimento. Caracteriza-se pela presença de repetições de palavras e curtas frases, revisões das emissões e interjeições. Podem ocorrer repetições de sílabas ou mesmo prolongamentos, mas estes são mais raros, enquanto, enquanto na gagueira ocorrem em quantidades excessivas. A não fluência normal da fala é episódica, com longos períodos de remissão e não há reações de consciência do evento. Tende a desaparecer com o processo de evolução da linguagem.

Johnson foi o primeiro profissional a estabelecer uma possível relação entre a não fluência normal da fala e a gagueira. Ele considerava que a causa direta da gagueira era o efeito negativo (estressante) da reação dos pais à não fluência normal. Afirmava que os pais eram perfeccionistas e altamente exigentes em relação à produção de fala da criança. Como resultado desta ação dos pais as crianças tomam consciência dos eventos de fala, reagem negativamente com vários sentimentos e desenvolvem a gagueira. Esta posição passou a ser denominada como teoria estimativa ou diagnosogênica da gagueira.

O diagnóstico diferencial entre a não fluência normal de fala e a gagueira é de crucial importância, pelo menos por duas razões fundamentais: exacerbação da condição ou, até mesmo, originar a gagueira e um certo número de gagos iniciais que desenvolve fluência normal sem qualquer tratamento. Este diagnóstico diferencial demanda a dedicação do profissional em colher uma cuidadosa história clínica, junto aos pais, e uma cuidadosa avaliação clínica da criança em situações lúdicas e, muitas vezes, em várias sessões de atendimento.

Alguns tipos de disfluência normal

Costa & Kroll descrevem alguns tipos de deficiência normal da fala em pré-escolas:

  1.    Repetições Vocais
  • Quebra de Palavras (le…leite).
  • Palavras monossilábicas (Eu… Eu quero).
  • Palavras polissilábicas (quero…quero ver).
  • Frases (Eu vou… eu vou passear).
  1.  Interjeições (Nós fomos ao… ah… colégio).
  2. Revisões-frases incompletas (eu não quero… onde papai vai).
  3. Prolongamentos (meu nome é AAAAlice).
  4. Pausas tensas (lábios ocluídos, nenhuma produção sonora).

Tipos de disfluência

Existem oito tipos de disfluências descritas na literatura:

  1. Interjeição (“ah”, “bem”).
  2. Repetições de parte da palavra (bo… bo… bola).
  3. Repetições de frases (eu quero… eu quero).
  4. Revisões (eu estava… eu estou)
  5. Frases incompletas (eu quero… ele devia ter).
  6. Repetições de palavras (eu… eu… eu…).
  7. Quebra de palavras (eu queria a b… bola).
  8. Prolongamentos de sons (fffffaca).

Repetições de parte da palavra são mais frequentemente percebidas como não fluência do que revisões, prolongamentos e hesitações. Prolongamentos, quebras de palavras são mais identificados como gagueira do que interjeições, repetições de palavras e revisões. De acordo com Hedge & Hartmann mesmo a não fluência normal pode ser identificada como gagueira se suas frequências, severidade e duração forem muito significativas.

Investigação e avaliação de crianças portadoras de disfluência

Wall & Myers sugerem a investigação de alguns aspectos psicossociais na avaliação de crianças portadoras de disfluência que estão descritos a seguir:

  1. Procure observar se a criança é consciente do problema – a criança pré-escolar pode demonstrar ou verbalizar sobre as dificuldades de fala ou pode dar sinais muito sutis, como leve evitação de olhar no momento da ocorrência do problema. Várias reações podem ser encontradas na criança na fase escolar. Enquanto algumas discutem sobre suas reações à gagueira de forma bastante madura, outras negam a existência de problemas acentuados.
  2. Explore as reações dos pais à gagueira de outros aspectos a respeito de como a criança usa a fala. Observe se a criança evita a fala reduzindo as estruturas linguísticas, fazendo uso de circunlóquios ou substituindo palavras, casos em que haverá interferência com aspectos pragmáticos da linguagem.
  3. Explore como os pais se referem ao problema, se usam a palavra gagueira e como lidam com os momentos de disfluência da criança.
  4. Obtenha informações dos ajustamentos da criança à fala e às noções do outro.

Quando procurar a orientação de um fonoaudiólogo?

Decisões terapêuticas devem ser tomadas quando se tem uma completa avaliação diagnóstica do “problema”. Se a criança apresenta uma não fluência normal, deve ser indicada uma orientação aos pais e familiares, no sentido de levá-los a entender as características do desenvolvimento da linguagem e da fluência da criança, para adequar as expectativas em relação ao filho. Quando a criança está nos limites entre a não fluência e a gagueira inicial, há indicação de orientações à família e, eventualmente, trabalho com a criança. Terapia fonoaudiológica deve ser instituída para este tipo de criança na vigência de atraso da fala e linguagem, história familiar da gagueira, fatores desencadeadores de gagueira mo meio ambiente ou grande ansiedade da família em relação à fala. Quando não for feita indicação de atendimento fonoaudiológico, é importante que se faça um acompanhamento da evolução da criança para futuras indicações ou alta.

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