Como é o controle de qualidade em citopatologia?

Há quase um século a qualidade dos produtos e serviços é cada vez mais exigida em diversos setores. Vários órgãos seguem normas e regulamentações para certificar ou acreditar processos e serviços, dentre eles estão o INMETRO (Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade e Tecnologia), PALC/SBAC (Departamento de Inspeção e Credenciamento de Qualidade), ONA (Organização Nacional de Acreditação), ANVISA (Agência Nacional de Vigilância Sanitária), LAP/CAP (Programa de Acreditação de Laboratório/Colégio Americano de Patologistas) e CLIA (Clinical Laboratory Improvement Amendmests).

A gestão da qualidade facilita a organização do trabalho, garante confiabilidade aos resultados, possibilita a rastreabilidade dos dados e a documentação de um estudo. Para tal, é necessário um conjunto de atividades planejadas, sistemáticas e implementadas com o objetivo de cumprir requisitos específicos de qualidade, definido como garantia de qualidade. A melhoria contínua é premissa dos programas de qualidade, alcançada pela análise clínica das etapas do processo, identificação de possíveis causas de não conformidades e adoção de ações preventivas ou corretivas, nas fases pré-analítica, analítica e pós-analítica.

 

A importância da implantação do sistema de gestão de qualidade

 

O sucesso na implantação do sistema de gestão da qualidade é totalmente dependente do comprometimento de todos os profissionais, desde a direção à área técnica. O laboratório deve elaborar o seu manual de qualidade, em que está declarado o compromisso da alta direção com as políticas e objetivos do sistema de gestão, seu comprometimento com as boas práticas profissionais e responsabilidade da gerência técnica, gerente da qualidade e profissionais envolvidos nos processos. A padronização e elaboração de procedimentos operacionais padrão (POP) detalhados que descrevem passo a passo as etapas de cada ensaio, bem como formulários, relatórios, manuais de equipamentos, portarias, resoluções e outro documento que acrescente  referência técnica ao procedimento devem estar disponíveis aos profissionais envolvidos, para consulta e treinamentos constantes.

É importante saber que o sistema de qualidade é um processo dinâmico e constante. A análise crítica das etapas, identificação de não conformidade e adoção de ações corretivas, quando necessárias, são fundamentais para manutenção para a manutenção do processo. As auditorias, tanto internas quanto externas, são ferramentas importantes para analisar os procedimentos e verificar se eles correspondem ao que é previsto no sistema de qualidade da manutenção da qualidade, fornecendo evidências objetivas das não conformidades.

 

Exame Citopatológico

 

O rastreamento do câncer de colo uterino tem por princípio a detecção de lesões em seus estágios iniciais, sendo o exame citopatológico, ou exame de Papanicolaou, a ferramenta empregada em diversos países para tal fatalidade. Para que os programas de rastreamento obtenham redução nas taxas de mortalidade, são necessários cobertura populacional adequada, oferta de exame citopatológico com qualidade e acesso ao tratamento adequado quando detectada qualquer alteração.

O Programa Nacional de Combate ao Câncer de Colo do Útero no Brasil foi instituído, em 1998, pelo Ministério da Saúde, com o objetivo de padronizar e possibilitar a rastreabilidade dos exames citopatológicos. O programa preconiza a realização do exame de Papanicolou como método de rastreio para mulheres na faixa etária alvo, ponderando que o exame é subjetivo, dependente da interpretação do observador e ressaltando a necessidade de adoção de métodos de monitoramento de qualidade dos exames citopatológicos.

Ao longo dos anos, novas portarias e resoluções foram publicadas, e melhorias foram incorporadas ao programa. Em 2013, a Portaria n° 3.388 (QualiCito) estabeleceu critérios e parâmetros para a garantia da qualidade específicas para os laboratórios que realizam o exame. Todos os laboratórios que prestam serviço ao Sistema único de Saúde (SUS) devem seguir as recomendações de qualidade descritas na QualiCito.

A adoção de medidas para monitorar a qualidade do exame possibilita a redução de diagnósticos falso-positivos e falso-negativos, aumentando a sensibilidade e especificidade do exame citopatológico (Brasil, 2016). O exame citopatológico é subjetivo e, além das dificuldades relacionadas com a interpretação da amostra, outros fatores podem comprometer a excelência do resultado, desde a coleta do material até a emissão dos resultados.

 

Confira o conteúdo completo no livro Citologia Clínica do Trato Genital FemininoVisite nosso site e compre agora!

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *