hpv no homem 37884 l

Quais os métodos de detecção do HPV?

O desenvolvimento do câncer de colo do útero pode ser evitado, quando diagnosticado e tratado precocemente. Para isso estão disponíveis eficientes métodos de detecção para lesões e HPV. São exemplos dos mais utilizados: colposcopia, histologia, biologia molecular e citologia oncológica.

Colposcopia

 

Um método e análise de imagens que detecta variações fisiológicas ou patológicas da mucosa e tecido conjuntivo por um equipamento chamado “colposcópio” que utiliza lente para ampliação e substâncias que podem destacar as alterações. Apresenta alta sensibilidade e baixa especificidade.

Histologia

 

Considerado o método mais específico para avaliar o grau da lesão e estabelecer a necessidade de tratamento. Em lesões classificadas, como NIC-I, ocorre maturação com anomalias nucleares e poucas figuras de mitose. Células indiferenciadas ficam limitadas às camadas mais profundas (terço inferior) do epitélio. Em lesões do tipo NIC-II verificam-se alterações celulares, principalmente restritas à metade inferior ou aos dois terços inferiores do epitélio, com acentuação das alterações do NIC-III, a diferenciação e a estratificação podem estar totalmente ausentes ou estarem presentes somente no terço superficial do eptélio, com numerosas figuras de mitose. Atipias nucleares em toda a espessura do epitélio e as muitas figuras de mitose atípicas.

Biologia Molecular

 

É considerada a metodologia mais específica e sensível para a detecção do HPV. Tais métodos baseiam-se principalmente na pesquisa do DNA, RNAm e proteínas virais. A genotipagem do vírus, por exemplo, consegue detectar diversos tipos virais, além de identificar casos de reinfecção. Além disso, são úteis como preditores do potencial cancerígeno de uma lesão ao valiar fatores, como o tipo de HPV, a carga viral, a integração do genoma viral e a presença de proteínas virais, bem como para a monitorização da persistência da infecção após o tratamento. Entretanto, ainda é discutível a aplicação clínica de alguns destes testes em larga escala no rastreamento do câncer por causa do seu alto custo. Adicionalmente, as infecções pelo HPV podem ser transitórias ou persistentes. Além disso, o seu DNA pode ser detectado em 10 a 50% das mulheres com citologia normal na idade fértil.

Existem vários métodos que permitem a identificação da infecção pelo HPV, entre eles: captura híbrida (CH), Southern blot, hibridização in situ, hibridização em fase sólida (microarrays) e reação em cadeia da polimerase (PCR). Os métodos mais utilizados são a PCR e a CH, por serem mais baratos e simples. Desta forma, tais testes moleculares têm sido incorporados no rastreamento do câncer cervical para a detecção de HPV de salto risco especialmente nos casos de citologias com resultados indeterminados.

Expressão da Proteína p16INK4a

 

A proteína p16INK4a, uma inibidora de quinase, é uma reguladora da divisão celular, ela desacelera o ciclo celular pela inativação da CDK que fosforila a proteína retinoblastoma. É expressa pela presença da oncoproteína E7 e codificada pelo papilomavírus humano (HPV), a sua expressão é observada em núcleos e citoplasmas de queratinócitos, de células de HSIL e em carcinomas. Estudos mostram que a expressão da proteína p16INK4a pode ser utilizada para estimar a evolução e extensão da lesão e auxiliar na diminuição das variações interobservador. A superexpressão da p16 tem sido relacionada com infecções po HPV-16 e 18 e pode ser detectada em lesões escamosas e adenocarcinoma. Pode sugerir HSIL nas lesões do tipo ASC-H, haja vista que estudos constataram que a sensibilidade da p16 para HSIL pode variar entre 70-100%, e a especificidade entre 25-75%. As infecções por Trichomonas vaginalis também poderá apresentar resultados falso-positivos para p16.

Por meio da imunocitoquímica e imuno-hitosquímica para p16INK4a é possível detectá-la em espécimes colhidas para biópsias parafinadas ou lâminas de citologia. A análise da imunorreatividade é realizada pela detecção da proteína no p16INK4a núcleo e citoplasma das células epiteliais.

Citologia Oncótica

 

Apesar da citologia oncótica ter provado ser eficaz, existe uma grande variabilidade nas estimativas de sensibilidade e especificidade do exame com taxa média de falso-negativo de cerca de 6% e falso-positivo em aproximadamente 1% para laboratórios que seguem rigidamente um sistema de controle de qualidade. Esses dados reforçam a necessidade da associação da citologia a um método molecular.

No sistema Bethesda as alterações patognomônicas do HPV são classificadas como LSIL equivalentes a NIC-I (displasia leve). Essas lesões têm potencial oncológico duvidoso e podem regredir espontaneamente, enquanto HSIL engloba as lesões NIC-II e NIC-III (HSIL). Caso não tratadas, podem progredir até um carcinoma de células escamosas invasoras. Um detalhe importante é que as alterações citomorfológicas nas células escamosas tendem a diminuir, conforme a gravidade da lesão histológica.

Das alterações citopáticas do HPV a principal é a coilocitose, observada em células escamosas superficiais e intermediárias, caracterizadas pela presença de grande halo perinuclear irregular delimitado, binucleação e núcleos atípicos (hipercromasia e irregularidade no contorno nuclear). A coilocitose torna-se menos evidente com o avanço da lesão. São verificados também disqueratócitos (células com citoplasma eosinofílico (células com citoplasma eosinofílico, núcleos picnóticos e dispostos em arranjos tridimensionais) e membrana levemente irregular.

 

Confira o conteúdo completo no livro Citologia Clínica do Trato Genital FemininoVisite nosso site e compre agora!

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *