Estratégias para comunicação de notícias difíceis

Uma comunicação efetiva entre médicos e pacientes está associada a desfechos importantes do tratamento. Isso inclui maior adesão ao tratamento, maior satisfação do paciente, maior participação do paciente nas decisões de tratamento e melhor ajuste psicossocial, maior recordação das informações, melhor entendimento e menores taxas de reclamações. Por causa do seu impacto nos pacientes e da qualidade do atendimento, a comunicação é considerada uma habilidade clínica essencial que exige treinamento. Mas, embora seja reconhecida a importância da comunicação médico-paciente, estima-se que haja algum problema de comunicação em mais de 80% das consultas médicas.

Considerando o processo de comunicação como um todo, várias situações podem ser consideradas difíceis de serem comunicadas aos pacientes com câncer. Por exemplo, merecem destaque a comunicação sobre o diagnóstico inicial do câncer, a recorrência do mesmo após um período de acompanhamento e o diagnóstico de metástases a distância. Comunicar diagnóstico de uma complicação grave secundária ao tratamento oncológico, que impeça a continuidade do mesmo, é tarefa difícil e relativamente comum em serviços de emergência. Além disso, outra comunicação potencialmente complexa é a informação de mudança nos objetivos do tratamento, como foco do cuidado paliativo e não mais no tratamento antineoplásico. Muitas vezes, a comunicação de suspensão do tratamento antineoplásico cm acompanhamento exclusivo pelos cuidados paliativos é bastante complexa, especialmente em casos onde o paciente e a família apresentam expectativa irreal sobre o tratamento e pensamento mágico ou negação.

Barreiras para comunicar uma notícia difícil (ou má notícia)

Uma notícia difícil (ou má notícia) pode ser considerada como qualquer informação que altere negativamente as expectativas sobre o futuro do paciente. Comunicar uma notícia difícil tem impacto não só ao paciente e seus familiares (receptores), mas também pode influenciar negativamente o próprio médico (comunicador). Um em cada cinco médicos relataram ansiedade e fortes emoções quando tiveram que dizer a um paciente que sua condição o levaria à morte. Além disso, o estresse percebido após uma consulta com comunicação de notícia difícil pode durar de horas até alguns dias. Treinamento de capacitação sobre estratégias adequadas de comunicação diminui as taxas de burnout e estresse ocupacional.

Comunicar uma má notícia é mais difícil quando o paciente é jovem, quando o médico tem uma relação de longa data com o mesmo e nas situações onde o otimismo é maior do que a expectativa real. Por outro lado, quando a comunicação é guiada por atitudes de empatia por parte do médico, o paciente tem maior chance de reportar satisfação e menores níveis de ansiedade e depressão.

A medicina de emergência é uma disciplina onde o foco principal é diagnosticar rapidamente, estabilizar e iniciar o tratamento curativo. Da mesma forma, em oncologia, muitas são as condições que levam os pacientes a procurarem serviços de emergência. Por exemplo, as mais comuns são as complicações secundárias ao tratamento oncológico (como as infecções, êmese, diarreia, entre outras) e as secundárias ao próprio câncer (como a dor e a fadiga relacionada com o câncer). Não raramente, o médico emergencista tem a responsabilidade de comunicar uma notícia difícil a um paciente com câncer, como, por exemplo, uma recorrência inicial do câncer ou uma nova progressão de doença.

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