Gestantes e Covid-19 | Mini-entrevista com Alberto Trapani Júnior

A edição 42.06 da Revista Brasileira de Ginecologia e Obstetrícia (RBGO) traz como destaque o artigo Protocolo de cuidados no parto, no puerpério e no abortamento durante a pandemia de Covid-19 (Childbirth, Puerperium and Abortion Care Protocol during the COVID-19 Pandemic). Escrito pelos ginecologistas Alberto Trapani Júnior, Laura Rassi Vanhoni, Sheila Koettker Silveira e Alessandra Cristina Marcolin, o artigo fornece apoio técnico e científico aos obstetras brasileiros com relação aos cuidados no parto, pós-parto e aborto durante a pandemia.

Nesta pequena entrevista o dr. Alberto Trapani xeplica um pouco sobre a elaboração do protocolo e da importância de sua criação no momento da atual pandemia. O resultado você lê abaixo.

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Qual foi a motivação sua e do restante dos autores em propor esse protocolo?

A atual pandemia traz uma situação totalmente nova. Mesmo sem muitas respostas sentimos a necessidade de reunir o atual conhecimento em um documento oficial da FEBRASGO. O Brasil é um pais continental e muito heterogêneo. Organizar o que sabemos é importante para avançarmos.

Como esse protocolo foi elaborado?

Inicialmente reunimos tudo o que foi possível de informações internacionais e brasileiras e construímos um documento no formato padrão dos protocolos FEBRASGO. Após minuciosa revisão dos autores, encaminhamos aos membros da Comissão Nacional Especializada de Assistência ao Parto, Puerpério e Abortamento. Consideramos as observações do grupo, ajustando alguns pontos. Após nova avaliação, a comissão aprovou o texto atual.

Dr. Alberto Trapani Júnior

Devido às atuais circunstâncias da doença (o Brasil se tornou no último mês, oficialmente, o segundo país com o maior número de novos casos e de mortes devido ao Covid-19) qual foi a maior dificuldade que vocês tiveram para a confecção do artigo?

A maior dificuldade é o grande desconhecimento da doença e de sua disseminação. Muitas das conclusões apresentadas são baseadas em estudos pequenos. Certamente, novos conhecimentos já existem e o protocolo já nasce com a necessidade de revisões.

Embora muitas pesquisas estejam sendo desenvolvidas no mundo inteiro, ainda não estamos próximos de uma resolução definitiva para a pandemia do vírus em breve. Você acha que isso forçará mudanças definitivas em termos de cuidados, manejos e protocolos envolvendo todo o universo da obstetrícia, desde o contato com a paciente até o parto e o puerpério?

Dentro do conhecimento atual, as gestantes com Covid-19 não apresentam resultado muito pior que a população geral. Contudo, as medidas para restringir a transmissão modificam dramaticamente o modelo moderno e respeitoso de assistência ao parto. Ajustar isso é um grande desafio.

Há alguma mensagem que você, como médico, gostaria de enviar aos seus pares com relação ao assunto?

O mais importante é a abordagem científica do assunto, tomando muito cuidado para que a ansiedade e a crise política e econômica não influenciem nossa assistência e nossas pesquisas.

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